Cabeçadas no futebol – quais são os perigos neurológicos para crianças?

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Cabeçadas no futebol – quais são os perigos neurológicos para crianças?

O seu filho joga futebol? Um estudo realizado recentemente mostrou que cabecear bolas durante partidas de futebol pode causar um tipo de concussão em crianças de até 11 anos. No pior dos cenários, danos neurológicos poderiam ser causados.

O perigo de cabecear bolas de futebol

A pesquisa apresentada no Congresso American College of Sports Medicine levantou dados concretos a respeito dos efeitos que a cabeçada na bola de futebol pode trazer. A pesquisa monitorou 30 jogadores, 15 meninos e 15 meninas (entre 9 e 11 anos) durante uma partida de futebol. 

Após o término da partida, foi constatado que os jogadores mirins que cabeceiam a bola receberam um impacto de força de aceleração entre 16 e 60G. A título de comparação, um impacto de 60G em um adulto pode causar uma concussão.

O que é uma concussão?

A concussão é caracterizada como um trauma crânio-encefálico, identificada pela perda transitória de consciência – quando a pessoa fica desacordada por alguns instantes.

A concussão pode afetar a memória, o julgamento, o reflexo, a capacidade de fala, a coordenação muscular e o equilíbrio do corpo humano.

Subconcussão após o impacto

Após constatar a força do impacto recebido pelos jogadores infantis no crânio ao cabecear a bola, um exame neurológico foi realizado para analisar as funções neurológicas de cada um. 

Durante o exame, os pesquisadores perceberam que o impacto prejudicou o reconhecimento de palavras e a capacidade de leitura entre as meninas. Já com os meninos, a velocidade do processamento auditivo e as habilidades de linguagem foram prejudicadas. Todos os efeitos prejudiciais foram temporários.

Os pesquisadores não caracterizaram os danos por conta da cabeçada como concussão, e sim como uma subconcussão, pois não houve perda da memória e os danos apresentaram ser de curto prazo.

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) pretende proibir as cabeçadas em bolas de futebol durante treinos e partidas quando houver menores de 12 anos competindo. A iniciativa é semelhante à que já foi adotada por países europeus para prevenir possíveis danos.

Danos permanentes

A pesquisa não conseguiu constatar se os danos provenientes das subconcussões podem se tornar permanentes caso ocorram repetidamente. Contudo, é importante que haja uma prevenção e o ato de cabecear a bola seja reduzido.

 

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